Renova é questionada por demora nas ações de reparação do rompimento de Fundão

Guilherme de Sá Meneghin, da 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de Mariana, afirma que há má vontade por parte das empresas controladoras da Samarco, Vale e BHP, em aceitar os acordos para beneficiar os atingidos pelo rompimento da barragem de Fundão. Em encontro na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), a Fundação Renova teve suas ações questionadas por parlamentares, representantes do Ministério Público e movimentos sociais.

A reunião ocorreu na quarta-feira (6), em uma audiência na Comissão de Direitos Humanos. A tendência de dificultar o andamento das iniciativas em prol dos atingidos foi tema das falas dos deputados que solicitaram a reunião, Rogério Correia e Cristiano Silveira, ambos do PT, do promotor André Sperling Prado, coordenador de Inclusão e Mobilização Social do Ministério Público, e de atingidos pelo desastre.

A reunião teve como objetivo debater pendências e atrasos no cumprimento das ações da Fundação Renova, responsável pela criação, gestão e execução das medidas de reparação e compensação das áreas e comunidades atingidas pela tragédia.

Segundo o promotor, em várias situações, Vale e BHP vem travando negociações. Ele falou sobre o acordo firmado com a Renova de que a empresa ficasse com os animais atingidos, compromisso feito logo após a tragédia. A empresa propôs comprar os bichos, mas queria pagar valores abaixo do mercado, fazendo inclusive contratos ilegais, com menores, idosos e analfabetos. O MP entrou com liminar suspendendo esses contratos e determinou que os valores pretendidos pela Samarco fossem acrescidos de 30%, mas ela não aceitou.

Ele divulgou que, ao todo, são 19 ações na Justiça contra a Vale/BHP, sendo 17 civis e duas penais. Acrescentou que o Tribunal de Justiça mantém R$ 300 milhões bloqueados do grupo econômico, para pagamento de indenizações.

Além disso, há três ações de cumprimento de sentença, que resultaram no pagamento de auxílio financeira a cem atingidos. Foram assinados ainda outros dois TACs, com a Prefeitura e com a Arquidiocese de Mariana, que arrecadaram R$ 1,2 milhão e R$ 900 mil, respectivamente, em doações. O acordo é para que os recursos sejam distribuídos diretamente aos atingidos.

Abordando a questão ambiental, o promotor André Sperling Prado, afirmou que, ao contrário do que tenta emplacar a Renova, o Rio Doce estava vivo antes do crime. “Milhares de pescadores de Minas Gerais e do Espírito Santo viviam da pesca. Os índios Krenac reverenciavam espiritualmente o rio. Mesmo sendo um depósito de rejeitos da Vale, o Doce assim sobrevivia, mas o desastre o matou”, disse Prado.

Projetos

O deputado Rogério Correia afirmou que há “forças ocultas” agindo na Assembleia para dificultar a aprovação dos três projetos de lei (PLs) relacionados ao assunto. São eles: o PL 3.677/16, de autoria da Comissão Extraordinária das Barragens, que determina a cobrança da taxa minerária, a ser destinada à Secretária de Estado de Meio Ambiente (Semad); o PL 3.676/16, também proposto pela comissão e que trata de fiscalização e licenciamento da mineração, visa proibir barragens de contenção de rejeitos; e o PL 3.312/16, do governador Fernando Pimentel, cria a Política Estadual dos Atingidos por Barragens (Peabe).

“Se for algo irregular, temos obrigação de combater”, afirmou Correia. Tratando da negociação envolvendo os animais, ele acrescentou que a compra deles pela Renova representaria economia para a fundação. “Espero que a burocracia não continue a marcar essa questão”, declarou o deputado Noraldino Jr. (PSC).

Renova

Roberto Waack, diretor-presidente da Renova, disse que a fundação tem por objetivo executar 42 programas para recuperação do desastre, sob supervisão do CIF. Ele afirmou que um dos focos é tentar ampliar o diálogo com a população atingida. Por outro lado, reconheceu que a situação atual é angustiante também para a Renova.

Sobre as ações em curso, ele disse que está sendo feita a identificação dos atingidos, com o cadastramento até agora de 26 mil famílias. A fundação já está pagando auxílio emergenciais a atingidos, que recebem cartões, mas de acordo com Waack, o trabalho de cadastro para recebimento do auxílio, e se for o caso, de indenização, só será concluído em março de 2018.

Fonte: ALMG.

Leia Mais em Nosso

BLOG